Viagens de moto ADV por região: as melhores rotas nos Alpes
Como motociclista, deve a si próprio uma viagem pelos Alpes, onde se encontram algumas das paisagens mais atraentes da Europa — sobretudo para quem viaja de moto trail.
Aqui encontra alguns dos cenários mais deslumbrantes, aliados a estradas fantásticas, espalhados por vários países — a combinação perfeita para satisfazer a sua vontade de viajar.
Melhor ainda: consoante o percurso, pode viajar quase sempre sozinho ou rodeado de outros.
Reunimos aqui sete grandes rotas para percorrer os Alpes na sua moto trail. De um modo geral, estas estradas estão ao alcance de qualquer nível de experiência, mas tenha em conta que pode haver ganchos técnicos que parecem difíceis para motociclistas inexperientes. Na dúvida, abrande. Pode até parar (num local seguro) e apreciar a paisagem, se precisar.
Route des Grandes Alpes, França
Começamos a nossa aventura em França, na Route des Grandes Alpes, um destino popular entre os ciclistas, pois é usada numa etapa da Volta a França. Com 425 milhas (684 km), recomenda-se fazê-la de norte para sul, começando em Thonon-les-Bains e terminando em Menton.
Assim, vai das montanhas até ao mar, atravessando os Alpes franceses. Vai subir 16 passos de montanha, incluindo o Col de l’Iseran. A 9068 pés (2.764 m) de altitude, é o passo mais alto dos Alpes.
Atenção ao tempo: devido à altitude, a estrada fecha durante parte do ano. Os meses de verão dão-lhe a melhor hipótese de encontrar as estradas abertas, que normalmente estão acessíveis até outubro.
Se quiser percorrer toda a Route des Grandes Alpes, conte com cerca de três dias (quatro se quiser apreciar as vistas e fazer turismo) e, tendo em conta a Volta a França, evite esta zona na semana antes e na semana depois da famosa corrida de bicicletas.
Cime de la Bonette, França
Continuando em França, chegamos à Cime de la Bonette. É a estrada mais alta de França, a 9206 pés (2806 m) de altitude. O circuito de La Bonette tem 210 milhas e inclui subidas íngremes, com 10% de inclinação por cada quilómetro.
Junte-lhe o ar mais rarefeito e será um bom esforço para si e para a sua moto. Não admira que a Volta a França, a famosa corrida de bicicletas, tenha passado por aqui. Aliás, a Cime de la Bonette é o ponto mais alto que os participantes da Volta alguma vez tiveram de subir.
Felizmente para nós, são as motos que fazem o trabalho duro e, em troca, podemos apreciar algumas das vistas mais espetaculares de toda a França (e até um pouco de Itália ao longe).
Vales, desfiladeiros, estradas sinuosas, velhos edifícios de tijolo e até a passagem ocasional de animais selvagens, já que os habitantes naturais destas terras costumam atravessar a estrada de vez em quando. Do início ao fim, La Bonette vai deixá-lo sem fôlego. Em sentido figurado e literal.

Dolomitas, Itália
Itália está cheia de excelentes estradas para andar de moto e as Dolomitas estão perto do topo dessa lista. Provavelmente já ouviu falar delas, mas, se nunca lá foi, pode estar a perguntar-se o que as torna tão especiais.
Primeiro, a paisagem. Encostas verdes e luxuriantes ou rocha calcária esperam por si em cada curva. Quase cada centímetro de estrada tem uma história com séculos e não é raro encontrar vestígios de guerras passadas.
Depois, a própria estrada. Começando a norte, perto da vila de Corvara, vai encontrar uma série de passos — Passo Campolongo, Passo Pordoi, Passo Sella e Passo Gardena — que vão certamente entusiasmá-lo.
Estes quatro passos bastam para satisfazer o viajante mais exigente. Ainda assim, os mais aventureiros podem continuar mais para sul, passando por Santa Lucia e serpenteando até Fiera di Primiera, antes de voltarem para norte por Paneveggio, o Passo Giau e Cortina d’Ampezzo, onde podem descansar e recordar a fantástica viagem.
Caso ainda não tenha adivinhado, as Dolomitas (tal como quase todas as rotas desta lista) podem ser divididas por vários dias. Ou pode escolher um passeio de um dia por qualquer destes passos antes de seguir viagem.
Passo de Furka, Suíça
Para provar os Alpes suíços, há o passo de Furka. Os cinéfilos talvez conheçam a zona mesmo sem saberem o nome — é o passo percorrido por James Bond no filme Goldfinger.
Para os restantes, o passo de Furka é um troço de 19 milhas (31 km) a quase 8000 pés (2.431 m) de altitude. Mesmo que não tenha visto o filme de James Bond, o terreno é provavelmente familiar, pois aparece muitas vezes nas listas de sítios a percorrer «pelo menos uma vez na vida».
Há curvas e contracurvas sem fim, com vistas espetaculares da montanha para onde quer que olhe.
O passo liga o vale de Ursern ao município de Goms e é o quarto passo de montanha mais alto da Suíça. Se procura algo para fazer fora da moto enquanto lá estiver, pode caminhar até ao glaciar do Ródano e ver a sua gruta de gelo.
O passo de Furka fecha no inverno, mas, seja quando for, verifique sempre o tempo e confirme que não há neve no topo.
O circuito dos São Bernardo: França, Itália, Suíça
Este é um circuito relativamente curto, de «apenas» 200 milhas, mas nessas 200 milhas cabem todas as estradas com curvas que possa desejar, além de paisagens fantásticas para onde quer que olhe. Se vier na altura certa, pode dar por si a andar entre paredes de gelo — uma novidade por si só.
Este circuito começa e termina em Bourg St Maurice, em França, e leva-o por mais dois países (Itália e Suíça) antes de regressar ao ponto de partida. Não só a paisagem é maravilhosa, como a estrada está geralmente em excelente estado. Sim, esta rota pode ser popular entre os automobilistas, mas estradas e paisagens tão bonitas merecem ser partilhadas.
Se estiver com atenção, pode reparar que um troço entre Bourg St Maurice e Flumet também faz parte da Route des Grandes Alpes, mas aqui percorre-o no sentido inverso.

Passo do Stelvio, Itália
Será mesmo motociclista se nunca ouviu falar do Passo do Stelvio? As imagens dos 48 ganchos do Stelvio, construídos no meio de um vale, são das mais icónicas que há. Mas o resto do passo também oferece ótimos momentos de condução.
Com 185 milhas, o Stelvio é o passo mais alto de Itália e não é para os fracos de coração — nem para os pouco talentosos. A estrada pode ser estreita por vezes, o que não é grande problema para os motociclistas, mas também pode ter muito movimento.
Ou seja, de vez em quando vai partilhar a estrada com veículos de quatro rodas ou com enxames de outros motociclistas e, de repente, o espaço fica apertado.
Ainda assim, o Stelvio merece ser feito pelo menos uma vez e, se não gostar, outros passos fantásticos esperam por si, em Itália ou mais à frente, na Suíça.
Circuito do Grossglockner, Áustria
O Grossglockner pode não ser tão conhecido dos norte-americanos, mas os europeus (e sobretudo os austríacos) consideram-no um tesouro.
Tem de pagar portagem e a Áustria tem um limite de ruído de 95 dB para veículos motorizados (mantenha os escapes de origem), mas, em troca, tem 230 milhas de asfalto impecável com curvas emocionantes, paisagens incríveis e paragens agradáveis para comer algo rápido ou tomar um café.
No mapa, a rota parece um pouco um laço. Começando em Zell am See, na Áustria, a rota serpenteia para sul em direção a Itália antes de fazer um circuito a partir de Kötschach, virando para sudeste em direção ao Passo de Nassfeld, continuando para oeste em direção a Tolmezzo, antes de voltar para norte até Monte Croce Carnico e fechar o circuito em Kötschach. Depois, regressa para norte até Zell am See, onde começou.
Andar de moto nos Alpes nunca é uma má escolha. Pela sua própria natureza, os Alpes vão dar-lhe memórias para toda a vida, seja qual for a rota que escolher ou o país por onde entrar.
Quer queira fazer turismo e percorrer estradas populares, quer prefira fugir das multidões e seguir caminhos menos percorridos, os Alpes têm tudo. Pode planear passeios de moto de um dia ou passar vários dias a percorrer estas rotas de moto e várias derivações próximas. As opções são muitas.